domingo, 8 de novembro de 2015

Resenha Dom Casmurro

Autor: Machado de Assis
Editora: Globo Editora
Páginas: 256
Ano: 1899

** CONTÉM SPOILER **

O livro começa com Bento Santiago já com certa idade relembrando sua existência até aquele ponto de sua vida.
Ele nos conta como adquiriu o vulgo Dom Casmurro, como foi sua infância feliz ao lado de Capitu, sua paixão de criança, como foi parar em um seminário após uma promessa feita por sua mãe antes de seu nascimento, que desejava ver o filho tornar-se padre e, ao perceber que os laços de Bentinho com Capitu se estreitavam, correu para realizar seu intento, como tentou fugir de sua obrigação sem êxito e, finalmente, seu beijo e sua promessa de se casar com Capitu quando retornasse.
No seminário, Bentinho conhece Ezequiel de Souza Escobar, que se torna seu melhor amigo. Em uma visita a sua família, Bentinho leva Escobar e Capitu o conhece.
Enquanto Bentinho está no seminário, sua mãe e Capitu se aproximam, o que leva Dona Glória a se arrepender da promessa feita e enviar um escravo para se tornar padre no lugar do filho.
Bentinho se forma em direito e consegue, finalmente, se casar com Capitu. Porém, sua demora em lhe dar um herdeiro torna-se um tanto penosa.
Com o passar do tempo o casal tem um filho, para a alegria de Bentinho, a quem chamam de Ezequiel, em homenagem a Escobar. Na verdade, foi uma retribuição a homenagem que o mesmo havia feito a Capitu quando teve uma filha com Sancha, sua esposa, a quem chamou de Capitolina.
No entanto, conforme Ezequiel vai crescendo, Bento percebe que o filho tem muita semelhança com o amigo Escobar, que a esse ponto da história já é falecido.
Convencido da traição de Capitu, ele tenta tirar a própria vida e do filho, sem sucesso, e o casal resolve por fim à relação.
Após um tempo na Europa, Bentinho retorna ao país sem Capitu, que morre por lá tempos depois.
Ezequiel, o filho que julga bastardo, tem o mesmo destino trágico, morrendo de febre tifóide durante uma pesquisa arqueológica em Jerusalém.
Amargurado e com idade avançada, Bentinho termina a narrativa deixando claro que nunca se recuperou da “traição” de Capitu e que essa foi a desgraça de sua vida.
As minhas impressões são as melhores a respeito de um dos mais renomados livros de Machado de Assis.
Apesar da leitura um pouco cansativa, os detalhes enriquecem a obra e te levam a acreditar que você poderia ser quaisquer dos personagens ali expostos.
A grande questão é se houve ou não traição por parte da esposa venerada Capitu. Porém, como só vemos um lado da questão, já que a narrativa é toda feita pelo ponto de vista de Bentinho, não dá pra ter certeza, pois ele deixa nítido ao leitor que é movido pelo ciúme inflamado que sente por ela.
Em um dado momento você começa a acreditar nessa possibilidade e tentar eximir de culpa a pobre Capitu, que poderia ter agido por impulso na tentativa de dar um filho ao marido estéril e assim salvar seu casamento.
As possibilidades são inúmeras e o livro acaba sem te dizer claramente o que aconteceu entre Capitu e Escobar. (Morra com isso!!!).
Contudo, a leitura nostálgica de um Rio de Janeiro do século XIX é mágica e vale muito a pena ser degustada!



Até a próxima ;)

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